domingo, 1 de novembro de 2015

#Resenha: Cabra Cega, Sheila Ribeiro Mendonça

E aí, gente, beleza??

Entonces, mais uma vez peço desculpas pelo meu sumiço constante, mas sempre fico com preguiça de postar (admito! rs), e também este mês de outubro fui superatarefado. Porém, farei o possível e o impossível para postar bastante a partir de novembro, to com a cachola cheiaaaaa de ideias que gostaria de compartilhar com vocês. Certo?

A resenha de hoje é de um livro que gostei muito (foi o 100ª desse ano, aeeeeeh), apesar de ter lido umas resenhas negativas. Vou explicar adiante, confira:



Cabra Cega é a história de Clara e Gustavo, um jovem casal que se mudou para várias cidades e estados simplesmente pelo ciúmes obsessivo de Gustavo.

Poderíamos dizer simplesmente porque ciúmes é comum, mas lhes pergunto: até que ponto??

Clara é muito jovem e logo que conhece Gustavo se apaixona e cegada pelo amor, acredita piamente na reciprocidade dos sentimentos do amado, mesmo sua família sendo contra o relacionamento, e logo, o casamento, Clara não lhes da ouvidos e segue seu coração, entregando-se a uma relação desde muito cedo fadada ao fracasso e miséria.

Gustavo só tem uma tia viva, a qual já não a vê há algum tempo, e nem quer. Médico e sádico. Totalmente encapetado e louco, não sei nem o que dizer deste homem, ele é muito, muitoooooo endiabrado, gente, deu medo, raiva, nojo, asco deste ser, e o duro é que sei perfeitamente que há muitos Gustavos por aí.

Desde o começo do casamento Clara é obrigada a ficar trancafiada em casa, sem poder falar com a família, amigos, vizinhos, ninguém. Sempre que ela ultrapassa esses limites impostos pelo marido, e o diabo sempre consegue descobrir, ele a obriga a se mudar com ele, e mais uma vez a menina tem de ficar escravizada em sua própria casa.

Depois de alguns meses, Clara passa a ser agredida física, emocional e sexualmente por Gustavo - me recuso a chama-lo de marido, porque um marido de verdade não faz o que ele fez.

É um livro curto, li em apenas 1 hora, mas mexeu totalmente comigo, me fez enxergar melhor como é difícil conviver e sair de uma relação perturbadora e horrorosa como desta mulher.

A narrativa é muito ágil e de tirar o fôlego. A cada página Clara passa por uma prova maior, muitaaaaas agressões físicas, muitos sonhos e desejos interrompidos, além de palavras perfuradoras.

A pior parte a meu ver é quando o demônio do Gustavo da um remédio para Clara, sem que ela saiba, para causar e concluir suas "vontades", não posso dizer exatamente o que acontece, porque seria spoiler, mas é horrível demais, dá muito medo e uma vontade loucaaaaa de sair pela rua, pelo mundo em busca de ajuda não só para esposas, mas também para TODAS AS PESSOAS que sofrem esses abusos diários no lar. Crianças, mulheres, idosos e até homens. Terrível, pra mim é uma coisa demoníaca mesmo.

Como disse no começo da resenha, é um livro que desde que o conheci no início deste ano, fiquei muito tocada e com vontade de lê-lo, no entanto, as resenhas que li falavam muito mal da Clara, porque ela na maioria das vezes não "tomava uma atitude".

Gente, vai aí minha opinião e experiência sobre o assunto: como alguém pode julgar uma pessoa que é humilhada, trancafiada, espancada, abusada dentro do próprio lar??? É terrível e impactante demais! Entendi a Clara completamente, como ela pode suportar tudo, como foi difícil para ela compreender o monstro que seu tão amado namorado se transformou, e como fugir, escapar, de um trem deste que não lhe dava paz, só perturbava de todas as formas, em todos os momentos??

Eu já presenciei agressão doméstica, sei o quão inescrupuloso é, e como é complicado passar por isso. Ter de fugir, abandonar a família que você tentou construir, ou até fugir para salvar sua vida largando filhos, etc. Tem MUITAS pessoas que passam por isso, e não podemos julgar, porque é algo muito doloroso e monstruoso, só quem vive sabe o que é. Eu no lugar da Clara, acho que teria tentado matar aquele diabo sufocado, sei lá, preferiria ir pra cadeia do que passar pelo o que ela passou.

O final foi surpreendente e teve o que o fim que mereceu. De acelerar o coração!!! Só tenho uma coisa a dizer: LEIAM, todos precisam ler este livro, para evitar sofrimentos semelhantes, como também para ajudar pessoas nesta situação.

Parabenizo a Sheila Ribeiro Mendonça pelo livro incrível, realístico e bem direcionado. Tenho certeza que não foi fácil escrever com tanta veracidade um livro polêmico e dolorido como este, pois para mim, ele ficou perfeito, sem enrolação para chamar atenção, apenas a realidade dos fatos, que me emocionou e me marcou muito.

Obrigado por lerem a resenha, quem já leu o livro não deixe de comentar o que achou, e quem gostaria de ler, por favor, deixe suas perguntas, comentários sobre o que quiserem saber! \o/

Ah, e me desculpem por ter xingado tanto o personagem de demônio kkkk é que pra mim, é o que ele foi! (revoltada aqui).

Beijos,
e até a próxima!

Ana M.

Um comentário:

  1. Minha querida, enquanto a gente escreve um livro, em todo o processo de criação, é um momento muito solitário, pois o autor, apesar de estar acompanhado dos personagens de seu livro que falam com a gente o tempo todo, é um período de renúnicas. Precisamos de concentração, precisamos estar sozinhos com a nossa história.

    Então quando publicamos é o momento que vamos entregar nosso filho pro mundo. É nessa hora que vamos ver as reações das pessoas e é um processo delicioso. Em relação a este livro em especial eu preciso confessar que quando vejo vocês falando muito mal do Gustavo eu fico muito feliz. :)

    Quando vejo vocês com raiva dele, nojo, agonia, ódio, isso significa pra mim que eu acertei na personalidade e características que eu desejava para o meu personagem, e isso é bom demais.

    Obrigada pela rica resenha, eu adorei. Gostei muito do fato de você focar no fato de que as pessoas não devem julgar. As pessoas acham que é fácil sair de tudo isso, quando na realidade não é.

    Sempre tem muitas coisas envolvidas na violência doméstica, principalmente o medo, que paralisa.
    Obrigada pelo carinho comigo e com o meu trabalho. ;)

    Beijo, beijo!
    She

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Beijos,
Ana M.